Overwhelmed and undersexed
“I’m overwhelmed and undersexed” canta Courtney Love em meus ouvidos num metrô a caminho da Cinelândia. Num momento onde me vejo engatinhando rumo a um futuro ainda nebuloso me transporto pro passado preciso de julho de 2015.
Escutava os mesmos versos repetidamente como se estivesse a procura de um pouco de conforto na voz de alguém que parecia compreender o que eu sentia. O cenário externo não era o metrô carioca, mas um trem em algum canto da Bélgica. Sem intenção de glamourizar, o cenário interno era de devaste emocional. “Overwhelmed and undersexed”. Acabara de terminar um relacionamento que me deixara oca por dentro. Saíra de um emprego que havia vendado meu potencial criativo e anti-burocrático. Pensando bem a escavação ainda não havia começado e eu nem tinha pistas de que ele existia, lá como tesouro perdido dentro de mim.
Vinte cinco anos era minha idade. O que eu fazia sentada naquele trem? Rumava a uma cidade medieval com ares românticos. Olhando em retrospecto não faz o menos sentido. Eu estava quebrada e só conhecia o caminho de ida. Ia de uma cidade a outra como se procurando por algo que eu mesma nem sabia o quê. Algo que me tirasse daquele estado de anestesia. Quem sabe? Ainda não compreendia o poder transformador que habita o vazio, mas já sabia que me preenchia mais que a superficialidade. Me encontrava numa negação entre o presente, apego ao passado e terror acerca do futuro. Ah, se eu soubesse quantas aventuras ainda viriam. E ainda tem gente que acredita na ilusão de que a vida é linear.