Outono
Copacabana, 07 de março de 2020
No fogo o terceiro café do dia fica pronto. No bar lá embaixo o samba insiste em viver. Aqui dentro o verão já foi e o outono do lado sul já se instalou. Toda energia de verão que me habitou pelos últimos meses já não se encontra mais por aqui.
Me dou conta que comecei esse novo capítulo da minha história em um dia de primavera. O símbolo mais forte dessa estação colorida é o florecer. Em setembro desabrochei. Pari uma nova Juliana que mal sabia como se comunicar em seu novo idioma, como andaria em suas novas pernas, como enxergaria novas possibilidades e para quais ideias limitadoras fecharia seus ouvidos.
Os meses se passaram, continuei caminhando, trôpega, e o verão chegou. A nova Juliana já se sentia pronta para o mundo de novo. Virou algumas noites. Vestiu-se de si e se sentiu linda. Permitiu-se sentir o gosto de outras pessoas, outros lugares. Como que embriagada de si mesma só queria continuar tomando a dose desse novo ser e estar no mundo.
E agora, as águas de março ainda não fecharam o verão, mas essa mesma mulher que apaixonou-se pela própria jornada sente que seu outono chegou um pouco mais cedo. Ele é a próxima fase, ali, aqui, marcado pela transição. Da sua sombra, traz a instrospecção. Outono é o convite para deixar as folhas antigas irem embora para que seja possível a chegada de uma nova estação.