O lado bom do corporativo do qual eu nunca falo

icanthelpbutwonder
2 min readMay 12, 2020

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Tenho o hábito, talvez não muito saudável, de só falar sobre o lado negativo do chamado “mundo corporativo”. Esse conceito por vezes vago, mas que para muitos é carregado de sentido. É natural que os desafios sejam os primeiros a aparecer ao lembrarmos de uma experiência difícil. Mas, hoje, talvez eu esteja conseguindo ressignificar esse fantasma que já não me assombra.

Boa parte dos meus melhores amigos conheci dentro das empresas em que trabalhei. Aprendi muito sobre gerenciamento e administração e hoje consigo aplicar isso no meu negócio diretamente. Soube o quanto eu gostava de estar em ambientes multiculturais. Aprendi a me posicionar, a dizer não. Entendi que o que mais me fez crescer foi a conexão que eu fazia com as pessoas e meu comprometimento em resolver os problemas que elas me traziam. Amava a possibilidade de todos os dias comer em restaurantes diferentes com patrocínio do ticket refeição. Poder tomar uma cerveja com um amigo e desabafar após um dia exaustivo de trabalho. Compreender na prática meus pontos fortes e meus pontos fracos, assim como o que eu gostava de fazer e o que eu não suportava. E, mais uma vez, porque esse fator tem peso duplo, as pessoas que somaram muito na minha trajetória pessoal e profissional. Conviver com pessoas de origens e visões de mundo tão diferentes das minhas certamente colaborou para que me tornasse quem sou hoje. E, por último, talvez porque eu tenha entendido como esse ponto é relativo, o corporativo me proporcionou conforto material e possibilidades de explorar o mundo.

Esse não foi um texto provocado pela saudade ou com a intenção de ser excessivamente positiva. Mas, tal qual um relacionamento que terminou, o tal do “não dar certo” muitas vezes não é verdadeiro. Deu certo sim, pelo tempo que durou. Nós tentamos algumas vezes, fizemos alguns ajustes, mas no final entendemos que não nos faríamos felizes. Deixar ir pessoas e situações que já foram boas, mas já não nos fazem bem é uma das coisas mais difíceis que a vida pode nos pedir. Leva um tempo pra gente se entender quem é fora desse relacionamento, só o caminho vai trazendo as respostas. Demorou para que eu pudesse ter esse olhar para meus anos vividos nas corporações e compreender quem eu poderia ser fora delas. Mas crescer é isso, né? Entender que nossas experiências dificilmente são apenas boas ou apenas ruins. A vida afinal é esse emaranhado de dias comuns no meio de grandes acontecimentos. E é como vivemos, enxergamos e damos significado a esses dias comuns que importa no final, né?

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