mesinha na varanda
semana que passou fui visitar uma amiga que mudou pra uma cidadezinha costeira aqui do Rio.
nós já nos visitamos em tantos settings diferentes. já fomos tantas nesses 15 anos de amizade.
estamos naquela idade onde as mulheres são convocadas a pensarem (se é que ainda não são mães) mais fortemente sobre a maternidade.
e, toda vez que passo alguns dias com alguma amiga ou irmã que vive a maternidade, eu volto para minha vida e minhas escolhas mais certa de que eu não vou desempenhar esse papel. eu realmente não quero.
é um não querer tanto racional quanto emocional quanto físico. sinto que não tenho corpo pra isso. no domingo, eu só queria tirar um cochilo no sofá após o almoço — não almoçar no sofá assistindo Patrulha Canina.
uma voz dentro da minha cabeça me censura e diz que isso soa extremamente egoísta. i can’t help it. é como me sinto. seria profundamente descontente tendo que abrir mão de minhas necessidades o tempo inteiro em prol de outro ser humano. não quero. não quero. não quero. confesso que até como amiga esse fim de semana foi cansativo, pois meio que tudo gira em torno da criança (que aliás é fofésima, mas não é sobre isso rs).
e como eu gosto do meu silêncio. que delícia é desfrutar dele quando quero e preciso.
que gostoso é precisar negociar apenas comigo mesma.
(ps: fui procurar uma foto no pinterest para ilustrar esse escrito e o termo que usei foi “happy woman”. guess what? todas com óculos escuro, roupas estilosas porém confortáveis, em alguma cidade interessante, com ua câmera fotográfica na mão, lendo ao sol ou tomando café.)
meu projeto agora é ter uma mesinha na varanda pra tomar cerveja durante os fins de dias de verão.