Jesus died for somebody’s sins but not mine

icanthelpbutwonder
2 min readNov 23, 2019

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Livrarias e cafés são meus templos. Andava há alguns bons minutos em busca de um adaptador de tomada quando entrei num deles em Berlim. Não sabia o que queria encontrar, mas confio que os livros me encontram. E dessa vez não foi diferente, “Just Kids” da Patti Smith me chamou. Nunca havia lido ou escutado nenhuma música dessa mulher que hoje tanto admiro, mas já havia visto seu livro ser indicado por pessoas que acompanho e resolvi levar um pouco de sua história para casa.

Comecei devagar a degustar sua história em Berlim. Levei o livro comigo para Itália onde passamos deliciosas tardes juntos de música e aconchego vindos de uma pessoa especial. Desembarquei no Rio e ainda não havia engatado em suas páginas, mas foi num metrô (sempre ele rs) indo para meu então trabalho que li as palavras que me arrebataram: “Jesus died for somebody’s sins but not mine. I had written the line some years before as a declaration of existence, as a vow to take responsibility for my own actions. Christ was a man worthy to rebel against, for he was rebellion itself.” Uau. Senti uma ponta de orgulho de mim mesma por estar iniciando uma rebelião pessoal, mas estava ainda só começando a sentir todo o peso dessa filosofia de vida.

Por ter estudado boa parte da vida em instituições católicas devo ter absorvido algo chamado de culpa cristã. Como se o fato de ter nascido já me imbuísse de culpa e obediência ao estabelecido. Culpa por estar feliz enquanto há pessoas dormindo no chão gelado de minha rua. Culpa por comer carne. Culpa por não ligar mais para meus pais. Culpa por sentir prazer. Culpa por desejar algo além do mundano. Culpa por não seguir as regras criadas pelas religiões e por homens comuns. Há uma pegadinha na culpa. Ela não nos absolve de nada, mas sim nos impede de seguir a coerência interna quando ela não casa com o que é esperado pelo externo. É o que entendo quando a Patti diz que Jesus morreu pelo pecado de alguém, mas não pelos dela.

A partir do momento que nos rebelamos contra o dado, há de se ter doses elevadas de auto-responsabilidade diárias. Não tem religião para ditar como devo viver. Não há família. Não há partido político. Não há chefe. Não há messias. Quando Patti diz que Cristo era ele mesmo a rebelião ela aponta para seu pioneirismo e desassocia sua figura revolucionária daquela figura conceitualizada pelas religiões. Jesus era um homem e líder carismático que pregou sobretudo o amor entre os seres. Se mais pessoas estivessem de fato preocupadas em seguir algo, deveriam se ater ao mais básico de seus ensinamentos e refletir sobre como podem mudar suas próprias vidas apontando para mais justiça social e consciência das próprias ações.

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