Devaneios Cotidianos
Barra da Tijuca, julho/19.
De segunda à sexta trabalho em um escritório nos moldes tradicionais: jornada de trabalho de 8 horas com intervalo de 1 hora para o almoço. Nos últimos tempos essa única hora foi se tornando um ritual para mim. É o momento onde cuido do meu abastecimento (físico e mental) e trato de observar o meu entorno.
Ao longo dos últimos seis meses consegui enxergar sólidos padrões de comportamento e raros exemplos de ultrapassagem da linha imaginária da normose. Olhando fixamente para a tela de seus celulares os seres humanos corporativos raramente se aprofundam em algum assunto. Alguns gostam de assistir o jornal sensacionalista da TV e depois parecem sentir um estranho misto de prazer e medo ao tecer comentários rápidos sobre a notícia apresentada. Ouço papos sobre o que está rolando no trabalho, sobre a loja que está em promoção, sobre o colega do escritório que não está na mesa. Sobre sonhos, livros, ideias e projetos paralelos: silêncio.
Confesso que anseio por um lugar onde cada um esteja buscando ou até mesmo criando a sua verdade, a sua visão de mundo. Onde as pessoas tenham desejo de se apoderar de conhecimento através da leitura e da troca de experiências. Não sei, talvez meus olhos estejam apenas cansados da rotina e, por isso, se apressam a julgar a partir de um recorte muito pequeno de tempo e lugar. A partir do meu lugar de privilégio, de observadora. Por isso eu ando e estimulo todos a fazerem o mesmo. Ainda que seja em seu próprio bairro. Ando e vou me abastecer de outras paisagens e de tantas outras perguntas.