Caixa Preta
Não tô pronta para abrir minha caixa preta. Numa breve espiada já consegui adentrar num mundo que não sabia que me habitava. Gosto de me enxergar com os olhos dele. Gosto de me enxergar nesses novos cenários. Em meio a tabaco, livros, cerveja, música e sexo. Excessos. Procuro minha conhecida moderação. Ainda não perdi o medo de mim. O medo dessa mulher que parece que começou a se enxergar como tal. Não me interessa cartilhas do que fazer. Bom senso. Auto proteção. Sobriedade. É como se desejasse me perder. Ao longo de minha vida me perdi em cenarios externos. Dessa vez é diferente. Tô me perdendo dentro dos caminhos internos que julgava conhecer com a palma da minha mão. Viro a esquina e , de repente, me deparo com uma nova parte de mim. Onde esteve? Talvez seja o contrário. Talvez eu esteja perdendo o medo de mim. Não ando muito ocupada de certezas. Tô quebrando tijolos que já não se sustentam. Já não me sustentam. Não sei o que colocar no lugar. Me vejo sentada num quarto à meia luz, cigarro aceso, cerveja no copo, editando palavras que ele deixa eu apagar e escrever com as minhas próprias, vejo minhas ideias ganhando vida, gosto, não quero parar. Gosto do humor incorreto. Da permissão para colocar as sombras no papel. Da ausência de auto julgamento. Quem é esse novo eu? Esse, que flerta tanto com a falta de fronteiras?